Parece que os designers simplesmente resolveram quebrar todos os padrões nesse começo de ano. Depois de termos visto o que Pugh e Gaultier fizeram com suas coleções de outono, realmente não temos outra expressão, por falta de algum palavrão, senão: uau! Iris Van Herpen também não quis ficar para trás com seu desfile incrível, que contou com uma instalação feita pelo artista Lawrence Malstaf, um especialista na interação entre biologia e fisicalidade. Ele foi responsável por esses painéis de plástico onde as modelos foram postas em suspensão durante o evento e ficaram parecendo enormes pedaços de carne embaladas a vácuo. Algumas, em posição quase fetal, como foi o caso da sulcoreana Soo Joo Park, demonstraram que possuíam ainda um tubo de plástico por onde provavelmente recebiam ar para respirar. Incrível. Então além de parecerem pedaços de carne, totalmente vendáveis e consumíveis, ainda emulam o ambiente uterino.
A coleção mistura a alta costura e a moda ready-to-wear com impressão 3D feita em colaboração com Julia Koerner, que foi a criadora desses vestidos de material brilhante e que têm como função aumentar a sensação de movimento do corpo durante o caminhar. Os sapatos também, que são um diferencial da coleção, foram criação de Iris em colaboração com a United Nude. Tudo isso para fomar um triunvirato Pugh-Gaultier-Van Herpen de designers que criaram uma narrativa e um design futurista distópico em suas coleções de outono. Simplesmente inacreditável! Digo isso porque, como escritora de ficção científica e pesquisadora de arte, para mim é muito inspirador ver esse tipo de estética juntas. A mim, parece ser sintomático, algo como um zeitgeist, mas talvez seja exagero da minha parte... então digamos que seja apenas muito interessante ver esse tipo de trabalho na moda contemporânea, quando na década de 80 a literatura, o cinema e a música já estavam girando em torno desse tipo de pensamento.





