Se em muitos momentos as pessoas vêem dificuldade em se imaginar usando as roupas que desfilam pelas passarelas, a coleção de primavera 2013 de Tess Giberson veio como um suspiro ao incômodo dessas mulheres. A moda ready-to-wear que faz jus ao rótulo é totalmente utilizável, mesmo sendo looks totalmente monocromáticos. A ideia talvez seja não só identificar a beleza do tom quanto dos tecidos e técnicas utilizadas, mas também as silhuetas, com várias cinturas demarcadas por fitas que se amarram, e troncos que se cortam por linhas diagonais de casacos e blazers. Assimétricos se combinam com geometria na combinação de linhas que se sobressaem por todo o desenho da roupa - em transparências, cortes e costuras. Há ainda espaço para estampas de estilo barroco e florais sobre a seda.
A coleção primavera/verão 2014 da grife masculina Julius foi apresentada em Paris em julho do ano passado. Tatsuro Horikawa trabalhou com as principais características da marca, sendo uma delas a grande sobreposição de tecidos, mas que termina num único traje estruturado e de textura única. Comparado a contemporâneos como Rick Owens, o designer compõe formas suaves e delicadas, mas que não são resultado de tecidos transparentes e esvoaçantes, e sim de materiais duros e que ofuscam o corpo, na maioria das vezes até mesmo desfazendo seu formato. Como destaque ficam os acessórios (óculos e pulseiras), além da estampa monocromática criada para o terno e a maquiagem dramática usada pelos modelos.
Apesar de ser uma coleção mais antiga, eu a escolhi para apresentar o trabalho da designer chinesa Uma Wang, que começou sua grife em 2005 em Londres. Por 10 anos, ela esteve no ramo têxtil antes de montar a sua própria marca de tricot, na qual desenvolveu sua própria técnica e estilo, tornando-se aclamada na capital inglesa, em Shanghai, Paris e Milão. Conhecida por misturar diferentes tecidos e texturas ao criar simples, mas fortes roupas com detalhes sutis, Uma tem uma estética desconstruída e assimétrica de sobreposições e roupas monocromáticas, longilíneas e esvoaçantes. Em algumas coleções ela trabalha com paletas maiores do que o preto e o branco, acrescentando também o vermelho e o cru, mas assim como a maioria dos designers minimalistas, ela não deixa de lado o p&b.
Mok Theorem é a grife assinada pelas designers australianas Grace e Gloria Mok. Após terminarem o curso de marketing e contabilidades, respectivamente, na Universidade de Sydney, as irmãs inauguraram a marca que leva um estilo de linhas limpas, visual contemporâneo, minimalista e peças monocromáticas com desenhos geométricos. Suas mais recentes criações estão reunidas na coleção primavera/verão 2013/14 intitulada Moon Palace, que ganhou o lookbook "The Story Begins". Separei não apenas essas fotos, mas também a coleção de outono/inverno para vocês verem os outros trabalhos da grife e conferirem o estilo da Mok Theorem.
Daniela Barros é uma designer portuguesa que iniciou sua grife em 2010, fazendo parte de um coletivo no qual apresentou sua coleção outono/inverno chamada "arethusa". Depois disso, ela se tornou designer assistente da grife orgnlife e se apresentou na Copenhagen Fashoin Weeek, para então finalmente, em 2011, ela lançar sua primeira coleção autoral, de primavera/verão, que deu o nome de koyaniska.
Já a sua coleção primavera/verão 2014, a mais recente, foi entrevistada numa reportagem da Vice sobre a Portugal Fashion, na qual ela inclusive disse que gostaria de vestir "Beyoncé, a rainha", se escolhesse vestir uma celebridade... hahha :) Inusitado, né? Eu jamais imaginaria essa escolha vendo o estilo das roupas, tão minimalistas e estruturadas. Parece que a portuguesa realmente trouxe muito do que ela deve ter visto pela Escandinávia, com Barbara i Gongini, mas também consigo enxergar Helmut Lang, Ann Demeulemeester e tudo o que há de melhor na moda européia, nórdica e asiática. Simplesmente incrível! Roupas maravilhosas, com um print geométrico lindíssimo e recortes incríveis. Detalhe para os sapatos também.
Que mundo para se viver! Fiquei muito feliz de encontrar o trabalho de Haizhen Wang, por acaso, nas minhas andanças pelo Tumblr. Suas roupas são lindas demais - queria eu ter umas várias libras para poder comprá-las e ter a honra de vesti-las! Quem sabe um dia? :) Sua coleção de primavera/verão é sutil e chique. De uma simplicidade que ainda assim é refinada. O couro preto e prateado dão um toque futurista junto ao uso marcante do branco e as calças largas combinadas aos blazers garantem uma seriedade de mulher que marca presença. Incrível!
Há algum tempo, pediram para que eu começasse a dar algumas dicas sobre dicas de como se vestir para eventos, para trabalhar e afins. Então vou começar a fazer, gradualmente, alguns posts com essa finalidade. Aqui é meio um look do dia mesmo, com uma opção que, na verdade, é multiuso. No meu caso, eu sou mestranda em semiótica que, pra quem não sabe, é uma área de estudo na comunicação e eu sou formada em jornalismo... então, às vezes, participo de congressos e seminários. Dependendo do seu estilo e do tamanho do evento, você pode preferir algo mais sofisticado ou não.
Recentemente eu participei de um encontro de pesquisadores em cultura na EACH-USP e eu acho que fui uma das que mais se arrumou pra ir pra lá hahaha... muita gente tava de calça jeans e All Star, sabe? E eu tava de pantalona, blusa de cetim e salto... meh! Como saber como se vestir? Eu, na verdade, sigo a regra do always fierce. Quero estar sempre bonita pra mim: antes estar arrumada demais do que estar mais feia, né, gente? Sei lá, eu tenho pensado assim. Mas esse look que eu preparei é um meio termo... É totalmente confortável e discreto.
Camisa Ellus
Calça de linho Zara
Sandália Arezzo
Leonard Wong iniciou seus trabalhos esse ano. Sua marca estabelece uma comunicação com o mercado fashion absorvendo as formas tradicionais, mas trazendo um quê de novidade. Ainda que suas peças possam ser consideradas minimalistas, o designer sempre acrescenta algo que tira da da mesmice, o que o fez ganhar prêmios como o de melhor futuro designer de Tokyo, em 2012, mesmo ano em que recebeu do Ministério da Cultura e da Air France mais dois outros prêmios. E não parou por aí. Esse ano também foi homenageado pelo concurso feminino na Bunka Fukusou Gakuin.
O que se percebe é que Wong segue o minimalismo dos asiáticos, mas tem uma ousadia que se vislumbra com o constante uso do couro ajustado ao corpo e às curvas femininas. Pergunto-me se ele tem um pouco de inspiração no Thierry Mugler ou então nas artes do H.R. Giger, porque em algumas fotos, principalmente na coleção Overthrow Tradition, todo aquele brilho do vinil, do verniz preto saltando das trevas, e aqueles formatos pontiagudos me dão uma impressão, uma lembrança da rainha alien, sabem? Heheh ainda mais com a ankle boot com salto de espinha que as modelos usam, os cabelos fazendo as cabeças ficarem mais ovais, unhas compridas... Extremamente futurista e alienígena por causa da maquiagem escura. Achei incrível, obscura. :) Um minimalismo com um toque fierce a mais!
O que se percebe é que Wong segue o minimalismo dos asiáticos, mas tem uma ousadia que se vislumbra com o constante uso do couro ajustado ao corpo e às curvas femininas. Pergunto-me se ele tem um pouco de inspiração no Thierry Mugler ou então nas artes do H.R. Giger, porque em algumas fotos, principalmente na coleção Overthrow Tradition, todo aquele brilho do vinil, do verniz preto saltando das trevas, e aqueles formatos pontiagudos me dão uma impressão, uma lembrança da rainha alien, sabem? Heheh ainda mais com a ankle boot com salto de espinha que as modelos usam, os cabelos fazendo as cabeças ficarem mais ovais, unhas compridas... Extremamente futurista e alienígena por causa da maquiagem escura. Achei incrível, obscura. :) Um minimalismo com um toque fierce a mais!
Atifa Rasooli é uma designer dinamarquesa que iniciou sua carreira no ano passado. Suas roupas minimalistas têm um aspecto clássico e vão dar a vocês aquela inspiração que algumas me pediram para o chamado corporate goth. Na verdade, eu tenho apostado muito mais numa moda minimalista do que num barroco goticão mesmo, o que foi a proposta do inverno passado - agora as coleções estão visando uma combinação de preto e branco e algo mais clean e suave mesmo, até porque estamos na primavera.
O bom da coleção da Atifa que vou mostrar pra vocês é que, justamente, é uma coleção SS14, então vai caber bem a proposta atual, apesar de ter alguns casacos que, para nós, moradoras dos trópicos e das terras tropicais, às vezes, pode ser dispensável (apesar de que, em cidades como São Paulo, todas as estações do ano acontecem num mesmo dia). E claro que, em alguns looks, a modelo usa sapato de salto baixo, o que pode ser modificado com salto e outros acessórios mais sofisticados pra dar um truque, né heheh... Mas reparem nos detalhes dos decotes nas costas, as calças largas (a maioria capri, o que pode ser um problema pras leitoras mais baixinhas), blusas estilo kimono, tudo numa sutileza bem asiática mesmo. Segundo a estilista, ela procura trazer à marca uma "beleza sombria e uma impressão melancólica com um toque sutil de ornamentação".
O bom da coleção da Atifa que vou mostrar pra vocês é que, justamente, é uma coleção SS14, então vai caber bem a proposta atual, apesar de ter alguns casacos que, para nós, moradoras dos trópicos e das terras tropicais, às vezes, pode ser dispensável (apesar de que, em cidades como São Paulo, todas as estações do ano acontecem num mesmo dia). E claro que, em alguns looks, a modelo usa sapato de salto baixo, o que pode ser modificado com salto e outros acessórios mais sofisticados pra dar um truque, né heheh... Mas reparem nos detalhes dos decotes nas costas, as calças largas (a maioria capri, o que pode ser um problema pras leitoras mais baixinhas), blusas estilo kimono, tudo numa sutileza bem asiática mesmo. Segundo a estilista, ela procura trazer à marca uma "beleza sombria e uma impressão melancólica com um toque sutil de ornamentação".
A grife a'bout é feita pelos designers Dean Hutchinson e Yunchieh Chang. Suas roupas são pura forma e leveza: minimalismo e presença. A última coleção que eles lançaram foi a de outono/inverno, que recebeu o nome de Re |ri| (再), mas vou mostrar também a anterior, desse ano e que é primavera verão e teve o nome de Being (存在). As peças são monocromáticas: muito preto e branco, alguma coisa em cinza. A moda é feminina, com alguma coisa de moda masculina, apesar de as roupas serem bem andróginas e me passam uma impressão de serem tão confortáveis, principalmente por parecer serem feitas com ótimos tecidos. Normalmente asiáticos priorizam por material de boa qualidade. Tive essa impressão ao visitar a galeria EMIS, em Viena.













