
Depois do excesso de borboletas na semana de alta costura, Jean Paul Gaultier retorna mais punk e militarista, portanto fierce, do que nunca! Confesso que não fui tão fã da coleção anterior que, apesar de muito bem feita e muito criativa, apresentando o desenho das asas da borboleta em impensáveis momentos, não exatamente me agradou por questão de gosto pessoal. Apesar de novamente aqui vermos roupas exageradas e até mesmo coloridas, o assunto me é muito mais palatável do que o burlesco.
Ainda que a estética militar apareça bem discreta, disfarçada num futurismo metalizado que logo se desfaz na referência punk britânica, ela ainda assim existe nessa coleção na paleta esverdeada, no macacão e nas botas. É como se o militar estivesse contido na tendência operária do punk e esse fosse uma versão do futuro, uma proposta de como Vivienne Westwood vestiria o Sex Pistols se ele viesse a se formar num futuro distópico. E isso fica ainda mais interessante quando vejo quase que uma influência de Gareth Pugh, nos materiais platinados e ainda a presença de mulheres mais velhas na passarela - e além delas, altos modelos alternativos, como negros com cabelos e barba descoloridos e crianças.
Se em algum momento alguém questionou o fim do momento punk na alta moda, depois da exposição no MET em Nova Iorque, parece que ainda não estamos saturados e Gaultier ainda fez uma coleção de dar inveja nos figurinos da Ginger Spice, hein? hahaha... A bandeira da Inglaterra se forma em zíperes e faixas em camisetas, vestidos e saias, ganhando textura ou estampa, incluindo a isso também o acessório da coroa, que retoma a temática militar e real com um novo casaco preto de botões dourados. Portanto, a coleção toda gira em torno dessa trajetória britânica dos anos 70 e 80, podendo-se resumir, talvez, na clássica canção God save the queen, na qual a banda Sex Pistols canta repetidamente o coro distópico: "No future, no future, no future for you!".
"A vida é uma borboleta! Então toda a coleção é sobre isso", disse Jean Paul Gaultier antes de o desfile da sua coleção de primavera de alta costura 2014 começasse. E com essa ideia, ele criou vários modelos que às vezes eram volumosos, outrora coloridos e espalhafatosos, sempre trabalhando o que é de mais destacante na imagem do animal-inspiração: as asas da borboleta. Porém, a coleção ainda tem um certo tom burlesco, algo do início do século passado, e por isso não foi à toa que a dançarina Dita Von Teese apareceu na passarela praticamente fantasiada de borboleta - destaque para muitas pessoas que acompanharam a notícia do desfile. Várias outras modelos ainda apresentaram looks com acessórios de cabeça com penas, modelos ajustados na cintura e que abrem abaixo do joelho, realmente confessando o estilo antigo, dando um toque de cabaré às passarelas.





